3 Níveis de Comunhão com Deus

Gilberto Bajo - Artigos - ago/ 22/ 08

Mt 7.7-8 = “Pedi, dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois aquele que pede, recebe; o que busca, encontra; e ao que bate, se abre”. 

      O sermão do monte é o resumo ou síntese de toda a verdade que devemos seguir para sermos discípulos de Jesus. Mostra o próprio caráter de Cristo.

      No capítulo 7 do evangelho segundo Mateus, a partir do versículo 6, Jesus passa a orientar os discípulos a deixarem a comunhão com as coisas sujas deste mundo, e a buscarem a comunhão com o Senhor.

      No v. 7, Jesus menciona três níveis de comunhão a ser buscada por cada um de nós. 

 

1.       BUSCANDO RECEBER DE DEUS 

    “PEDI, E DAR-SE-VOS-Á”.

     O recém-convertido, que ainda não conhece bem o Senhor, Sua providência, misericórdia, amor, etc, vem do mundo com uma vida, geralmente, bem desordenada, necessitando acertar várias áreas. 

     Para isso, precisa pedir, pedir e pedir muitas coisas ao Pai: que lhe cure dos males que sofre, liberte dos problemas, conserte os relacionamentos dentro do lar, necessidades no emprego, pagar dívidas, etc.

      Quase todos vêm para o Reino buscando um conserto geral em sua vida. Ele, no início de sua vida cristã, não está tão preocupado com a obra de Deus e em conhecer a vontade de Deus. Está interessado em ver seus problemas e necessidades resolvidos.

      Assim, a comunhão do jovem discípulo com Deus se resume, praticamente, em pedir-lhe tudo o que necessita.

      E o Pai ouve essas súplicas e quer que lhe peça, porque está muito interessado nessa comunhão.

      A resposta das orações produz no coração do discípulo muito amor pelo Senhor, o que irá impulsioná-lo à uma comunhão ainda maior. 

 

    Sl 116:1-2 = “Amo ao Senhor, pois Ele ouviu a minha voz; ouviu o meu clamor por misericórdia. Porque inclinou para mim os seus ouvidos, invocá-lo-ei enquanto viver”. 

      Nesses versículos está expressa a reação do discípulo que pede e recebe: ele passa a amar o Senhor e gera um sentimento de nunca mais deixá-lo (invocá-lo-ei enquanto viver). 

      Esse tipo de comunhão alicerça o discípulo na rocha, que é Cristo.  É uma experiência pessoal. Sua confiança no Deus provedor cresce, e sua fé não está mais baseada no que os outros lhe dizem, mas naquilo que Deus está produzindo na vida dele. 

  •  Jo 4.42 = “Diziam à mulher: já não é pelo teu dito que nós cremos; agora nós mesmos o ouvimos falar, e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo”. 
  •  Jo 6.67-69 = “…Não quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e conhecemos que tu és o Cristo, o Santo de Deus”.

      Devemos incentivar os novos a pedirem ao Senhor, pedirem tudo, para que cresça dentro deles o amor pelo Senhor. 

      Mas, a comunhão não se resume em apenas pedir e receber. Deve progredir. 

2. BUSCANDO CONHECER A DEUS 

      “BUSCAI, E ENCONTRAREIS”.

      Quem busca quer encontrar alguma coisa; quer saber, conhecer, ver.

      Além do discípulo ter experiências com o Senhor respondendo suas petições, também deve se interessar emconhecer o Senhor; saber quem Ele é, o que quer, quais as intenções do seu coração, seu propósito.

      Deve buscar conhecimento tanto da pessoa de Deus como de sua vontade; conhecimento da verdade, do Conselho de Deus. 

  •  Cl 1.9-10 =  “…pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda sabedoria e entendimento espiritual…e crescendo no conhecimento de Deus”. 
  •  2 Pe 3.18 = “Crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo…”. 
  •  Fp 3.10 = “Desejo conhece-lo…” 

      Muitos são infrutíferos porque param no primeiro estágio. Sua comunhão com Deus se limita em pedir. Às vezes nem fazem isso. Alguns até têm o hábito de toda manhã ou noite agradecerem ao Senhor pelo descanso ou pelo dia que tiveram, e acrescentam pedidos de bênçãos. Entretanto, muitas vezes, essas orações se parecem mais uma reza, pois são feitas como uma obrigação.  Isso está longe de ser uma comunhão.

      A comunhão implica em manifestação de ambos os lados, tanto do discípulo como de Deus. É uma conversa, um diálogo e não um monólogo.

      Há muitas coisas que o Pai quer mostrar, revelar.

      Nossa vida muda quando passamos a conhecer melhor o Senhor, seu caráter, sua obra. 

      Há também um grande perigo: ficamos tão empolgados com a revelação que recebemos e com a obra que realizamos, que achamos que isso é o tudo.

      Muitos estão envolvidos diariamente com o fazer, seja com encontros, visitas, reuniões, servindo aos irmãos, e pensam que isso é o que mais agrada ao Senhor.

      Não tenho dúvida de que isso agrada ao Senhor, mas Ele quer mais do que isso; na verdade, UMA COISA SÓ É NECESSÁRIA. 

  1. BUSCANDO ESTAR COM DEUS

     “BATEI, E ABRIR-SE-VOS-A”.

      Muitos discípulos são dedicados na obra do Senhor, nas atividades com a igreja, nas reuniões, no servir uns aos outros, pregar o evangelho. Entretanto, quase não têm tempo ou disposição para estar na presença de Deus e dedicar-lhe tempo.

      Jesus nos manda bater. Quem bate numa porta deseja entrar para estar junto com quem está lá dentro. 

  •  Ap 3.20 = “Eis que estou à porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. 

      Essa é a intenção de Jesus quando nos manda bater:  que estejamos com o Senhor para cear com Ele e Ele conosco.  É só prazer, alegria, comunhão – ESTAR JUNTO. 

      Maria, de Betânia, foi uma mulher que descobriu rapidamente o que mais era importante. 

  •  Lc 10.38-42 = “…Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: Senhor, não te importas de que minha irmã me deixe servir só?…Marta, Marta, estás ansiosa e preocupada com muitas coisas, mas uma só é necessária. Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”. 
  •  At 6.2-4 = “Então os doze, convocando os discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus, e sirvamos às mesas. Escolhei, irmãos, dentre vós sete homens…Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra”. 

      Não se trata de pedir alguma coisa ao Senhor, nem de buscar revelação ou de fazer a obra; trata-se de ESTAR com Deus, em seus braços, sentir seu amor, ver o que está fazendo, ouvir o que tem para me dizer. Ter intimidade com Deus. Esta é a melhor parte. 

      Jesus é nosso exemplo em tudo. Ele nos declarou: 

  •  Jo 5.19-20 = “…o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma; ele só pode fazer o que vê o Pai fazendo, porque tudo o que o Pai faz, o Filho o faz igualmente. Porque o Pai ama o Filho, e lhe mostra tudo o que faz…”  

      Que comunhão! Que intimidade!  

      Se quisermos ser iguais a Jesus temos que buscar essa comunhão com o Senhor, pois Ele nos adverte:  

  •  Jo 15.5 = Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; pois SEM MIM NADA PODEIS FAZER. 

      Devemos ter comunhão tão íntima com o Senhor ao ponto de escrevermos o seguinte salmo: 

  •  Sl 84.1-2,10 = “Quão amáveis são os teus tabernáculos, ó Senhor dos Exércitos!   A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor;  o meu coração e a minha carne clamam pelo Deus vivo… Vale mais um dia nos teus átrios do que mil em outro lugar”.
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