Conhecendo o Coração de Deus

Paulo Fagiani Filho - Artigos - Mar/ 26/ 08

Um colega de mestrado na Faculdade Teológica de São Paulo, o Lourenço Stelio Rega, escreveu um livro intitulado “Dando um Jeito no Jeitinho”, onde ele trata de questões éticas contemporâneas ligadas a este modo bem típico do nosso povo. Entre outros assuntos ele trata de: Como viver em um país em que a carga tributária é excessiva, a fiscalização é ineficiente e a corrupção e burocracia estimulam a evasão do sistema? Que dizer do caixa dois? O mau uso da verba pública justifica-o? Estes assuntos éticos estão no nosso dia-a-dia mas pouco se trata sobre isso diretamente nas igrejas.Lembro-me de algumas discussões que tomavam conta das igrejas na minha juventude: Tamanho do cabelo no homem, uso de barba, ir ao cinema, escutar rock e até mesmo usar calças Jeans.Até poucos anos atrás não havia dúvidas a respeito do comportamento homossexual dentro das igrejas, hoje já existem igrejas compostas exclusivamente para eles e uma discussão abertamente política sobre casamento homossexual dentro das igrejas evangélicas.Também, há alguns anos atrás, pouco se falava sobre as questões bioéticas: alimentos transgênicos, engenharia genética, clonagem de seres humanos, eugenia, uso de células tronco retiradas de embriões humanos. Hoje, pouco a pouco, estes serão os temas de debates nossos, ou de nossos filhos, dentro da igreja.Os padrões sociais, morais, éticos e econômicos mudam constantemente: Será que os padrões de Deus mudam? A Bíblia é suficiente para essas discussões e nos dar direção?

Diante dessa realidade, minha proposta é pausarmos sobre tema “Conhecendo o coração de Deus”. Além de fascinante, ele é de extrema importância para todas estas questões éticas propostas acima. No entanto, há muitas maneiras de abordar esta temática. Por exemplo, é possível fazer uma estudo de teológica sistemática, utilizando-se os vários versículos espalhados na Bíblia dentro desse mesmo assunto. Mas, uma outra abordagem possível é a utilização de um contexto histórico da Bíblia, do relacionamento entre Deus e os homens. Espero fazer este tipo de abordagem no que segue abaixo.

Há uma tendência humana, ou seja, algo que faz parte da nossa natureza caída, que nos faz julgar as coisas muito pela aparência. E, quando nos vemos na situação de agir como juízes somos extremamente justos, mas quando somos passíveis de alguma condenação, apelamos sempre para a misericórdia, ou a algum tipo de jeitinho que nos livre daquela situação difícil ou constrangedora.

Em uma reunião com os homens da igreja utilizei de dois exemplos (que eles não sabiam que eram ficção): o que eles achariam se ao sair em busca de um objeto eu pegasse um carro emprestado de um irmão, furasse vários sinais vermelhos no trânsito, fizesse uma contramão e subornasse um guarda para evitar uma multa. Houve uma certa condescendência, ou seja um ar de misericórdia, pois desrespeitar leis de trânsito e subornar guardas parece ser uma coisa muito corriqueira na vida de uma cidade grande, já faz parte do nosso dia-a-dia, como sonegar alguns impostos, furar fila ou colar numa prova e dizer meias verdades. Aparentemente, são coisas inconseqüentes. Mas, se eu dissesse a eles que, enquanto preparava o estudo bíblico eu aproveitei a internet para ver pornografia… Deu para sentir os olhares de condenação e repulsa. Os mais afoitos expressaram que eu precisava ter mais temor ao Senhor. Como se esse pecado realmente fosse muito mais monstruoso do que o outro. Depois que expliquei que havia inventado os exemplos, eles respiraram mais aliviados, mas pude perceber que havia uma espécie de dois pesos e duas medidas na reação deles.

Será que Deus olha o pecado e o pecador da mesma maneira que nós olhamos?

Quando lemos a primeira carta de Paulo aos Coríntios ficamos sabendo que a igreja admitia passivamente em seu meio uma pessoa que cometia um pecado que até as pessoas do mundo não eram capazes de fazer (I Co 5.1). A frouxidão moral do contexto social daquela época, retratado na sociedade greco-romana, fez aquela igreja não dar importância àquele comportamento.

Mas, este não é o único exemplo. Em uma das histórias mais impressionantes e violentas da Bíblia podemos conhecer um pouco da atitude do homem, e também do coração de Deus. A história é a de Davi: Um homem segundo o coração de Deus.

Não é o meu propósito: Defender o pecador, dar desculpas por certos pecados cometidos, fazer defesa de comportamentos que não são abençoados por Deus.Propósito: Levar a igreja (o leitor) a entender o coração de Deus e com isso mostrar que a maneira como olhamos determinados comportamentos, não é a mesma maneira que Deus olha! 

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